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Jun 04
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A Magia da Água

A caneta tem estado em repouso.

Deixo-me mergulhar no meu interior para resgatar as palavras adormecidas.

O toque parece não as despertar, como se recusassem transformar-se em algo com forma.

A sua essência mantém-se intacta, sem procurar uma expressão fugaz no tempo.

Procuro uma nova forma de as encontrar, deixando que a poeira se dissipe e me mostre as coordenadas.

Continuo a escrever, na esperança de as palavras guiarem o seu próprio caminho.

Deixo a tinta desenhar as letras, sem controlar a sua expressão.

Deixo-as ganharem forma, sem procurar a sua razão.

Deixo a razão de lado e entrego-me de coração.

Deixo que o coração me conforte, acolhendo as emoções também adormecidas no tempo.

Deixo-as ganharem forma, deixando as lágrimas fluírem no meu rosto.

Deixo as lágrimas escorrerem, arrastando consigo fragmentos de memórias cristalizados pelo tempo.

Deixo a água correr livremente, contornando os obstáculos.

Deixo-a seguir a sua corrente, desenhando novos caminhos por onde passa.

Deixo-a fluir, moldando-se a cada nova experiência.

Deixo a água banhar-me, fundindo-me com a sua essência.

Deixo algumas gotas flutuarem, levando consigo pedaços de ar.

Deixo bolhas de sabão ganharem forma, observando a sua leveza.

Deixo a água e o ar levarem pedaços soltos de mim.

Deixo a essência ficar e sorrio.

Deixo o sorriso despertar a criança adormecida dentro de mim.

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